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A cultura move a sustentabilidade: como a Afya Itabuna transformou pessoas em agentes ambientais

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Neste artigo, compartilho como a Afya Itabuna transformou a sustentabilidade em um movimento coletivo, envolvendo colaboradores, docentes, estudantes e lideranças na construção de uma cultura ambiental sólida e participativa. A partir da implantação de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA), a instituição não apenas conquistou a certificação internacional ISO 14001, como também fortaleceu a integração entre pessoas, processos e propósito. Ao longo do texto, apresento os desafios, estratégias e resultados dessa jornada, mostrando como o engajamento humano foi essencial para transformar práticas ambientais em parte do DNA da instituição.

Em setembro de 2025, a Afya Itabuna (BA) recebeu a certificação ISO 14001, um selo internacional que reconhece a implementação de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) estruturado, com foco na mitigação de impactos, uso eficiente de recursos e cumprimento de exigências regulatórias e de mercado.

Fomos a primeira Instituição de Ensino Superior do Nordeste a conquistar esse reconhecimento. Mas a história que vale contar aqui não é a da certificação em si, é a do que foi necessário construir para chegar até ela e o que esse processo gerou para a Afya como um todo.

O diagnóstico antes de qualquer coisa

Em maio de 2024, começamos com um diagnóstico honesto da unidade. A pergunta não era “o que precisamos para obter a ISO?”, mas sim, “como a Afya Itabuna realmente se relaciona com o meio ambiente hoje?”.

Mapeamos os aspectos e impactos ambientais de cada setor, revisamos rotinas e identificamos 204 requisitos legais aplicáveis à nossa operação que precisavam ser atendidos, de emissões atmosféricas a vigilância sanitária, passando por gestão de resíduos, recursos hídricos, fauna, sistema de combate a incêndio, sinalização e outros.

O diagnóstico técnico foi importante, mas revelou algo fundamental: qualquer sistema de gestão ambiental que existisse apenas no papel não funcionaria. Para ter efetividade, o SGA precisaria ser compreendido e praticado pelas pessoas que operam a unidade no dia a dia.

O que foi feito na prática

A governança foi organizada em três níveis, estratégico, tático e operacional, com responsabilidades definidas em cada um. A alta direção participou ativamente das análises críticas e das decisões ao longo de todo o processo, não apenas no início.

Para a frente de capacitação, a escolha foi integrar o SGA a iniciativas que já existiam, ao invés de criar treinamentos paralelos. O tema entrou na Semana de Desenvolvimento Administrativo e na Semana de Desenvolvimento Docente. Orientações sobre o sistema também passaram a fazer parte da recepção de calouros no início de cada semestre.

Mais do que treinar, a Afya Itabuna mobilizou multiplicadores e influenciadores internos. Criamos o grupo de Embaixadores do SGA, formado por pessoas escolhidas para impulsionar práticas ambientais, promover discussões, engajar equipes e atuar como referências vivas da mudança cultural em curso. Eles foram o elo entre a política ambiental e o cotidiano, transformando diretrizes em comportamento e comportamento em cultura.

Esse modelo participativo fortaleceu o senso de pertencimento e fez com que a agenda ambiental deixasse de ser responsabilidade de um setor e se torne responsabilidade de todos.

A estratégia de comunicação adotada foi bastante poderosa para engajar e informar toda a comunidade acadêmica. TVs corporativas, murais temáticos, cartilha para visitantes, conteúdos nas redes sociais e até divulgação na rádio interna foram utilizados para reforçar, diariamente, a importância do cuidado com os recursos naturais, das práticas de descarte correto e das metas do sistema.

Essa multicanalidade não só amplia a disseminação da informação, mas cria um ambiente onde sustentabilidade é vista, compreendida, lembrada e praticada. Um ambiente onde cada colaborador se reconhece como parte essencial do processo.

Uma das frentes ambientais mais trabalhadas foi a gestão de resíduos. Instalamos lixeiras para a coleta seletiva em pontos estratégicos da unidade, estruturamos abrigos separados para resíduos comuns e perigosos e estabelecemos parceria com uma cooperativa de reciclagem local para a destinação dos recicláveis. O restaurante que opera no espaço e os prestadores de serviços fixos do prédio foram integrados a esse processo desde o início: todos passam por uma integração ambiental ao entrar na unidade e assinam um Termo de Responsabilidade Ambiental, comprometendo-se com as práticas adotadas. Isso foi importante porque boa parte do fluxo de resíduos e do impacto no espaço passa por esses parceiros.

No que diz respeito ao uso da água, a Afya tem uma meta de reduzir a intensidade de captação hídrica em 30% até 2035. Em Itabuna, isso se traduziu em um projeto piloto que se deu na instalação de válvulas reguladoras de vazão em pontos de consumo como torneiras e chuveiros, com o objetivo de reduzir o consumo sem comprometer a funcionalidade. As avaliações técnicas realizadas na unidade indicaram uma redução média de 51% na vazão de água nos pontos onde as válvulas foram instaladas, comparando as condições antes e depois da instalação.

Em energia, os painéis solares instalados no estacionamento viabilizaram a autossuficiência energética da unidade em 2024. Em 2025, 96% do consumo foi atendido por geração própria.

Para engajar a comunidade acadêmica de forma mais ampla, realizamos a Semana do Meio Ambiente com uma programação composta por palestra para colaboradores sobre uso consciente de recursos naturais e apresentação das metas do SGA, ação interativa de perguntas e respostas sobre gestão ambiental com os alunos, e espaço de divulgação com cartilhas, murais e orientações práticas. A semana também serviu para comunicar os resultados do sistema até aquele momento e reforçar os compromissos coletivos.

Outro diferencial significativo está na participação ativa dos estudantes. A unidade incorporou o SGA em momentos-chave, como a recepção de calouros. O resultado é um ambiente educacional onde a sustentabilidade deixa de ser apenas parte da operação institucional para se tornar parte da formação das novas gerações de profissionais da saúde. Isso amplia o impacto socioeducativo do SGA para além das fronteiras do campus e para além do processo de certificação.

Os resultados até a certificação

Os resultados começaram a aparecer e de forma significativa: redução de riscos ambientais, melhorias no gerenciamento de resíduos, uso mais consciente de água e energia, além de maior integração entre equipes em torno de metas sustentáveis. O volume de resíduos enviados para aterro sanitário caiu de 69% para 44% do total gerado na unidade. Mais de duas toneladas passaram a ser destinadas a cooperativas de reciclagem. Entre 2024 e 2025, a geração de energia solar foi de aproximadamente 708 MWh, equivalente ao consumo anual de mais de 433 residências na região Nordeste.

O SGA também contribuiu para processos que já existiam na unidade. A renovação do AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros) foi 20% mais ágil do que nos anos anteriores e documentos como o Alvará Sanitário e a Licença Ambiental passaram a ter um acompanhamento sistemático no que diz respeito à conformidade e documentação.

Expansão do SGA para outras unidades

Desde o início, a certificação de Itabuna foi planejada como o primeiro passo de algo maior. O objetivo não era apenas ter uma unidade certificada, mas aprender com esse processo em campo para construir um modelo de SGA próprio da Afya, que pudesse ser aplicado em outras unidades com as adaptações necessárias para cada contexto.

Com a certificação concluída, em 2026, demos início à implementação gradual do SGA em outras cinco unidades (Afya Porto Velho, Afya Teresina, Afya Ipatinga, Afya Vitória da Conquista e Afya Contagem). Até 2032 pretendemos implantar o sistema em todas as 38 unidades de graduação do grupo.

O que esse processo ensinou

Olhando para o período de implantação, alguns pontos ficaram evidentes:

A gestão de pessoas não é um elemento de suporte ao SGA: ela é estrutural. Processos bem desenhados sem engajamento real das equipes não se sustentam no tempo.

Integrar o SGA a momentos que já existem, como semanas de desenvolvimento ou recepção de calouros, foi mais efetivo do que criar iniciativas isoladas. O tema ganhou relevância quando passou a fazer parte do fluxo normal da instituição.

A presença ativa da liderança ao longo de todo o processo foi determinante para que o SGA fosse tratado como prioridade real, não como projeto de área.

E incluir os parceiros, o restaurante, os prestadores de serviço, desde o início foi essencial. Em uma operação como a de uma faculdade, o impacto ambiental não para na equipe interna.

Itabuna mostrou que é possível estruturar um sistema de gestão ambiental em uma instituição de ensino superior com resultados mensuráveis em menos de dois anos. Essa base é o que sustenta a expansão a partir de agora.

A mudança cultural gerada pelo SGA fortaleceu o senso de corresponsabilidade ambiental, incorporando práticas como consumo consciente de recursos, descarte correto de resíduos e monitoramento sistemático de impactos. O engajamento das equipes foi fundamental, permitindo que a responsabilidade ambiental se tornasse parte do “DNA” da instituição.

Fonte: A cultura move a sustentabilidade: como a Afya Itabuna transformou pessoas em agentes ambientais | by Isabela Nunes | afya | May, 2026 | Medium